Mostrando postagens com marcador longo prazo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador longo prazo. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Risco é igual a Volatilidade? Não, é bem diferente!

Nós já falarmos aqui um pouco sobre tipos de Riscos e sobre atenções que devemos ter em cada um deles. O que costumamos ver no mercado financeiro é a simplificação de tudo que é Risco expresso em termos de Volatilidade. Então vamos tentar estabelecer diferenças fundamentais entre Risco e Volatilidade.
É oportuno falar disso logo depois de termos colocado aqui aquela opinião sobre a oportunidade de se investir em Renda Fixa por mais de 10 anos. Assim, eu vou usar este exemplo do post anterior para explicar um pouco sobre o conceito de Risco e Volatilidade.

Devemos chamar de Risco a probabilidade de perda permanente ao longo de todo período de investimento. Ou seja, é uma probabilidade ou uma distribuição de probabilidades associadas a uma mudança negativa de cenário e a quedas irreversíveis do preço do ativo em questão. Há diversas formas de medir Risco e existem vários tipos de Risco, que para cada ativo e cada análise se faz mais relevante.
Já a Volatilidade é o movimento de oscilação do preço do tal ativo. É o reflexo da mudança de opinião dos agentes financeiros acerca do cenário. Como os preços em geral são dados pelo valor presente estimado daquele ativo, este tende a oscilar para cima e para baixo o tempo todo e só se converte em perda ou em lucro em caso de realização (venda) do ativo. Em geral é medido pelo cálculo estatístico do desvio-padrão dos retornos do ativo/portfolio.

Apesar da diferença clara de conceitos, o mercado financeiro tende a se confundir e a confundir os investidores. Mas será que eles não sabem o conceito ou preferem ser simplistas por conveniência?
Acho que o ponto fundamental para respondermos essa questão é retomarmos o conflito permanente entre os agentes do mercado financeiro e os investidores, para exemplificar podemos tentar desenvolver um raciocínio de dois Focos que podem ser dado às visões dentro do mercado financeiro:

Foco no Presente é a busca por minimizar a oscilação dos preços
- Intensifica a análise na Volatilidade
- Olha para o % do benchmark no curto prazo (e.g. 105% CDI no mês ou no ano)
- Está preocupado com o preço que pode vender o ativo hoje
- Vemos esta visão comumente nos traders (agentes que compram e vendem várias vezes os ativos em curtos intervalos de tempo)

Foco no Futuro é a busca por reduzir a oscilação dos retornos
- Intensifica a análise do Risco
- Olha para a rentabilidade completa do investimento (do começo ao fim)
- Está preocupado com a preservação dos rendimentos ao longo de todo o tempo
- É a visão dos investidores e dos empresários

Voltando para a nossa opinião a respeito do mercado de Renda Fixa Prefixada (post anterior), podemos extrair uma boa aplicação dos conceitos abordados acima.
Se investirmos em um ativo de Renda Fixa que remunera 12% aa por 10 anos, teremos 159,4% de rendimento no período. Porém, no mercado futuro de juros, se essa taxa de 12% aa for para 12,1% amanhã, nós veremos uma oscilação negativa no preço do ativo, porque poderíamos ter 
ganhado mais investindo a 12,1% aa. Apesar desta Volatilidade do preço do ativo por conta da curva futura de juros, o nosso Risco está vinculado a mudança de cenário em 10 anos, ou seja, na probabilidade dos juros serem menores nesse período. Se a Economia está melhorando, há controle de inflação (não em 2011 ou 2012, mas ao longo de 10 anos) e melhora na confiança das contas públicas, é factível pensarmos em juros de 6% aa daqui a 10 anos.
Desta forma, vemos que o Risco em ficar investido indexado aos juros correntes, acreditando ser mais conservador, é o cenário mudar para juros de 6% aa e como o foco estava em não ter Volatilidade isso pode ter distanciado o seu ganho dos 159,4% no período para casa de 100,0% (assumindo um cenário de queda gradual de juros em 10 anos).

Para concluir, se você quer ser um investidor foque seus esforços em analisar os riscos de cada investimento, como um empresário faz com os riscos de seus projetos. O mercado financeiro é cíclico, dando oportunidades para quem tem foco no futuro e causando muita dor de barriga para que acredita poder enriquecer no curto prazo.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Será que ainda dá para ganhar dinheiro no Mercado Financeiro?

Andei ausente do blog nos últimos meses, peço desculpas àqueles que começaram a seguir e acabaram não tendo novidades vindas deste espaço. Agora voltei a todo vapor! Espero escrever alguma coisinha aqui pelo menos 2 ou 3 vezes por semana, falando de coisas do momento e atendendo a pedidos conceituais dos amigos e familiares. Justamente por isso resolvi voltar a escrever frequentemente.
Como faz tempo que não uso o blog, vamos aproveitar para falar de oportunidade de investimento combinada a alguns conceitos econômicos por trás disso.

Já estamos no final de Maio e as análises de todas as boas casas previam que este seria um ano de alta na bolsa. Até o momento, o Ibovespa acumula queda de 8,95% e deveriam questionar as previsões dos especialistas? Acredito que não, porém devemos ser mais minuciosos com nossas análises e separar alguns conceitos importantes que podem reforçar a nossa tese atual de oportunidade de investimento.
A principal porção do Ibovespa que contribuiu para esta forte queda foram as ações de empresas ligadas a commodities (especialmente metálicas), não porque sejam empresas ruins, mas existem preços na economia que são dados por um conjunto de fatores alheios a vontade dos investidores - a isso damos o nome de mercado internacional.
Não podemos deixar de comentar o desempenho das ações do setor financeiro, o que está intimamente ligado ao assunto que falaremos hoje e o conflito mais evidente que temos nos agentes econômicos brasileiros.
Algo que pode validar as previsões dos especialistas é que nem tudo vai mal na bolsa brasileira. Se olharmos o detalhe das relatórios do começo do ano, apesar de focarem sempre no Ibovespa, já há 2 anos pelo menos ouvimos falar do mercado local e de comprar ações de empresas vinculadas a melhora clara do poderde compra doméstico. Caros, isso não é Ibovespa. Apenas 20% do Ibovespa corresponde a cerda de 80% do PIB, ou seja, Ibovespa é mais mercado internacional do que local.Mas não se desesperem, tem gente especializada em analisar e investir em empresas fora do índice. Eu já falei sobre isso aqui, mas acho que desta vez vale citar alguns nomes de gestores especializados em investir em ações que já venho observando há alguns anos: Guepardo, Orbe, Quest e RB Fundamental. Ainda vale olhar para casas mais novas, como: Duna, JB, M Square, Mercatto, Iguana entre outras. Bom, recado dado para renda variável, vamos ao que interessa. Para mim, o momento é aproveitar a oportunidade do mercado Prefixado de Renda Fixa.

Primeiro o conceito econômico:
Diferentemente do que vemos no dia a dia do Jornal Nacional ou do Estadão, no país não existe apenas uma taxa de juros - a conhecida Selic ou (erroneamente) chamada de taxa básica. Dentro do mercado financeiro se trabalha uma outra taxa de juros, parecida com a Selic porém construida de forma completamente diferente, que os investidores até já se acostumaram - o tal CDI. (em um post de economia eu detalharei mais a diferença entre elas e em que momentos elas foram muito diferentes)
Se não bastasse termos essa diferença entre Selic e CDI, os investidores profissionais (tesourarias de bancos, fundos de investimentos, fundações etc) não olham apenas para a taxa de juros correntes, os atuais 12% aa (Selic) e 11,90% aa (CDI), tem acesso a um mercado pouco explorado pelos demais investidores, o mercado Futuro de Juros.

A função do mercado futuro de juros e mostrar como os agentes da economia estão descrevendo sua expectativas com relação a combinação Juros Real e Inflação. Isso posto, não podemos afirmar que os juros em uma determinada data no futuro será um valor ou outro, só podemos dizer olhando
para o mercado futuro as estimativas dos agentes.
Então o que podemos ler dos agentes na atual curva de juros?
Para isso o exercício matemático é um pouquinho mais chato, mas como eu já fiz vamos as conclusões:

- Até 2025 os agentes acreditam que os juros acumulados ficaram acima de 12% aa. Ou seja, mesmo que a eco ima melhore, que o país consiga crescer a taxas proporcionais a sua capacidade e que o mundo cresce em média de 4% a 5% aa, nossa taxa de juros (o custo de dinheiro) ao longo de 14
anos não cairá em momento algum;
- Para que isso seja factível, também vemos que a inflação não cederá abaixo de 5,8% aa em média, todos os próximos 14 anos. Ou seja, nossa inflação será durante 14 anos acima do crescimento mundial da economia.

Vamos mudar a pergunta para tentar esclarecer: será que ninguém do mercado fez essa conta, só nos? Por que os raposões do mercado estariam se comportando como coelhinhos?
Realmente nós não somos os "gurus ganhadores de dinheiro" no mundo. Mas desta forma, admitindo que as tesourarias dos bancos não viraram coelhinhos, podemos descrever o conflito mais presente na economia brasileira: autoridade monetária x tesourarias dos bancos.
Eu sei que já falei aqui da importância do constante conflito entre autoridade fiscal e autoridade monetária, porém sabem que no Brasil a autoridade fiscal é dada, não muda e é gastadora. Por isso eu chamo atenção para esta relação entre tesourarias e banco central.
Nos últimos meses vimos o banco central bater na tecla de que a inflação corrente já não tem como ser controlada por política monetária e que os ajustes de juros que eram necessário já tinham sido feitos. Por outro lado, frisava que as chamadas "medidas macro-prudenciais" passariam a ser mais utilizadas para conter o crédito e reduzir o ímpeto pelo consumo.

Pausa: devemos olhar para este discurso com bons olhos. O banco central mostrou lucidez ao entender que boa parte do efeito sobre os preços advém do mercado internacional (é, aquele mesmo que tem derrubado o Ibovespa) e que as altas dos metais e alimentos estavam próximas de arrefecer. Portanto, as consequências sobre os índices de preços domésticos acompanhariam isso. Mas isso só funciona se você combinar o jogo com os adversários.

Vamos aos raposões. Se você tem um banco que ganha mais dinheiro se ele aumentar o volume de empréstimos e cobrar mais por isso, por que raios você gostaria de colaborar com a queda dos juros e a diminuição do crescimento do crédito?
Durante anos, quando o banco central sinalizava alguma medida menos vantajosa para os bancos, os efeitos já eram conhecidos. Por serem os maiores operadores do mercado futuro de juros, principalmente os mais longos, as tesourarias usavam o seu poder sobre o mercado para abrir (elevar o nível) da curva de juros na parte mais longa; com isso, os investidores (estrangeiros) viam uma alta precificação de inflação para o futuro e rapidamente retiravam recursos do país; o efeito da saída de dólares é a depreciação do câmbio, o que por fim pressiona a inflação no curto prazo fazendo o banco central de
coelhinho e tendo que aumentar juros.

Historinha contada, será que estamos na mesma situação agora?
Dá pra dizer que não e que sim.
Primeiro que não existe mais pressão cambial contra o Real há algum tempo, pelo contrário, a pressão tem sido a favor. Isso enfraquece a "estratégia" na queda de braço das tesourarias.
Por outro lado, os bancos podem continuar expandindo o credito e contribuindo para aumento do consumo local, o que pode sim geral aumento nos preços.
O que vemos nas curvas futuras é que a tal queda de braço está nos gerando uma oportunidade interessante de ficar investidos Prefixados por mais de 10 anos à taxa superior a 12% aa. Isso quer dizer que você pode não ganhar muito dinheiro nos próximos meses, talvez até nos próximos 1 ou 2 anos, mas garantir um rendimento em Renda Fixa superior a 12% aa por mais de 10 anos.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Comportamento do Investidor I: Muita preocupação com o que menos importa

Uma das coisas que tenho tentado fazer nesses anos de wealth manager é observar o comportamento dos investidores em diferentes momentos do tempo. Felizmente, para esse tipo de exercício, eu pude viver de perto os acontecimentos de 2007, 2008, 2009 e 2010, e vou compartilhar um pouco do que percebi e não tenho muitas dúvidas de que se assemelhará com o que vocês sentiram/fizeram ou alguém próximo de vocês.

Na semana passada fiz aniversário e ganhei de presente uma das coisas que mais gosto de ganhar: um livro. É incrível como existe uma infinita biblioteca que ainda quero ler e o Marcel acertou em cheio ao me dar A Lógica do Cisne Negro, de Nassim Nicholas Taleb, que não é um lançamento mas felizmente estou lendo agora. Provavelmente vai me render algumas idéias para escrever aqui, já no início do livro já quero associar alguns trechos ao comportamento que percebo ao longo dos anos nos investidores do mercado financeiro.

Em linhas gerais, para também não contar tudo do livro e despertar o interesse de vocês em lê-lo, o que Teleb chama de Cisne Negro são os eventos inesperados que acontecem a todo tempo e realmente modificam a história. Ou seja, quanto de importância damos as causas e os efeitos de eventos óbvios/esperados e o quanto deixamos de nos ater a coisas que fogem do nosso radar e mudam substancialmente nossas vidas.

O que isso tem a ver com o que falamos aqui e com a vida financeira dos investidores?

Não só hoje aqui na Hollander, mas conversando com os profissionais do mercado financeiro que lidam com investidores e de acordo com a literatura técnica, as emoções acabam se sobressaindo a estratégia 
Alguns posts atrás eu falei um monte sobre riscos e algumas formas que analisamos os risco de mercado, liquidez, crédito etc., coisas importantes de se saber, que conseguem dar uma noção de ordem de grandeza, mas não é uma medida para o futuro e muito menos com alto grau de precisão. O mesmo podemos dizer sobre a expectativa de retornos, quando sempre ouvimos o bordão de mercado "rentabilidade passada não garante rentabilidade futura".

Quando fazemos um investimento devemos nos ater na estratégia e não na expectativa de retornos imediatos. Os investimentos que fazemos hoje são para obtermos resultados no futuro, ou seja, estamos muito mais sujeitos a encarar Cisnes Negros do que olhando para o que aconteceu no passado.
Mesmo que a todo momento nós economistas tentemos estudar tudo que já ocorreu para descrever padrões que um dia possam se repetir, tudo que realmente conseguimos (se formos bem sinceros) é perceber que podemos até saber bastante sobre o passado, mas cada vez mais sabemos menos sobre o futuro. Uma vez eu ouvi uma verdade sobre a minha ciência "os economistas usam informações passadas para prever hoje o que erraram no futuro".

Então o que estou dizendo é que meu trabalho não serve para nada, pois tudo é imprevisível? É claro que não. E mesmo que fosse isso eu não levantaria argumentos contra a minha profissão, certo?

Eu gostaria de usar novamente a analogia com os meus amigos médicos.
Se você precisar fazer um pequeno procedimento, extremamente simples como a retirada de uma verruga, provavelmente vai procurar o melhor médico que faça isso para você. Já pensou no porque quer sempre o melhor profissional, independente da complexidade do trabalho? Porque não são as coisas complexas e difíceis que promovem os melhores resultados ou as maiores catástrofes, mas as coisas simples que acabam gerando displicência aos despreparados.
Se você for fazer o laser na verruga e tiver uma parada cardíaca, quer ter o melhor médico do seu lado para salvar sua vida. E se não tiver a parada cardíaca, quer que sua verruga seja retirada sem deixar qualquer sinal ou cicatriz.
Cisnes Negros, bons e ruins, só parecem óbvios depois que eles acontecem. A prevenção e a habilidade de lidar com Cisnes Negros exige muito conhecimento, inteligência e capacidade profissional para se obter resultados de longo prazo.
Percebem que investir tem menos a ver com o quanto você ganha de dinheiro e mais com o quanto você é capaz de não perder. Quando se perde pouco e se ganha alguma coisa, mas com consistência, a combinação de anos e anos fazendo isso promove resultados realmente relevantes para a vida financeira das famílias. Esse é o princípio de se correr risco consciente e necessário para atingir os objetivos factíveis.

É isso que ocorre no mercado financeiro. Os investidores traçam expectativas muitas vezes sem nem ter conhecimento se elas são possíveis e muito menos sem considerar que as coisas podem dar mais errado do que se previa ou mais certo do que se imaginava. Parte do meu trabalho é alinhar expectativas, trazendo para a pauta o que é possível e o que não é, quais são os riscos inerentes e quais os ganhos mais prováveis, ajustar vontade com possibilidade, e ainda assim tenho que ter ciência de que Cisnes Negros acontecem o tempo todo e temos que ter estratégia para que eles não sejam os responsáveis pelas perdas irreparáveis ou pelos ganhos isolados ao longo de uma vida de investimento.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Os investidores precisam de mais atenção e personalização

Devo me desculpar novamente por ter demorado tanto para postarr coisas novas aqui, mas nos últimos dias eu estive definindo um importante passo que vou compartilhar com vocês.
Acabo de me associar a Hollander Advisors Management para dar continuidade ao meu projeto de Wealth Management independente. Hoje somos uma multi family office focada em poucas famílias, personalizado às necessidades dos clientes, gerenciamento de risco, alocação de portfólios, planejamento financeiro e minimizado conflitos de interesses em potencial.
Como o objetivo aqui é discutirmos diversos assuntos relativos a vida financeira das pessoas, não haverá mudança de comportamento pela minha nova estrutura profissional.

Dei uma entrevista para o Paulo Fortuna na semana passada, ele publicou alguns trechos no caderno especial de Private Banking do jornal Valor Econômico de hoje. Segue o trecho e sugiro que leiam o caderno na integra, pois há várias declarações interessantes de players do mercado.

Cliente quer segurança, liquidez e conhecimento
Paulo Fortuna | Para o Valor, de São Paulo
18/11/2010

Atender às expectativas de quem tem pelo menos R$ 1 milhão disponível para investir nem sempre é uma tarefa simples e, após a crise financeira global deflagrada em 2008, tornou-se ainda mais complicada. "Muitos clientes que tiveram perdas durante a crise ficaram mal impressionados com o gestores de suas contas de private banking. Eles avaliam que os bancos foram muito imprudentes ou gananciosos e passaram a ser mais cautelosos com seus investimentos", afirma o economista Celso Grisi, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP) e diretor presidente do Instituto de Pesquisas Fractal.
Estudo realizado pelo Fractal em abril mostrou que mesmo os mais insatisfeitos com a atuação dos bancos durante a crise não desistiram de manter seus investimentos no private, mas prometeram acompanhar mais de perto o destino de seu dinheiro. Grisi destaca que os clientes desse segmento passaram a cobrar mais conhecimento técnico sobre as operações financeiras oferecidas pela instituição. "De um lado, os clientes passaram a preferir mais segurança e liquidez do que rentabilidade e, de outro, ele exigem explicações mais técnicas e embasadas sobre a regulamentação das aplicações e os riscos embutidos nas operações", afirma.

O economista lembra que nem sempre o cliente private conhece bem as especificidades do mercado financeiro ou tem tempo de acompanhar o que acontece no setor. "Neste caso, ele exige ser informado sobre qualquer mudança no mercado, como uma alteração na carga tributária, que pode afetar o seu investimento."

O estudo do Fractal aponta que o principal item valorizado pelos clientes private é a disponibilidade do profissional que o atende no banco. Em seguida, vem o o conhecimento dos produtos e serviços oferecidos pela instituição financeira. "Organização, objetividade e eficiência no atendimento" aparece como o terceiro item de destaque na pesquisa. Na quarta colocação, a "transparência e sinceridade no relacionamento com o cliente" foi o mais lembrado. Do total dos entrevistados, 84% investiam somente no private dos bancos e o restante aplicava com gestores independentes.

O consultor financeiro Vinicius Gholmie já detectou a insatisfação de muitos de seus clientes com o atendimento da área de private banking de grandes instituições financeiras. "Em alguns bancos, o gerente private acaba dando prioridade para clientes que têm grandes volumes aplicados, enquanto aqueles que possuem investimentos na faixa de R$ 3 milhões não recebem a mesma atenção."

Uma estratégia adotada por Gholmie foi reunir várias contas de clientes private para fazer uma negociação conjunta com o gerente da área. "Com R$ 30 milhões em investimentos reunidos, consigo condições melhores de negociação com o banco", explica o consultor financeiro.

A qualificação do executivo da área pode ser decisiva para o cliente em continuar o investimento no banco, destaca o economista Roy Martelanc, coordenador do curso de pós-graduação em private banking e corporate da Fundação Instituto de Administração (Fia). Ele ressalta que a crise global de 2008 e 2009 trouxe um novo paradigma para o setor: o mercado, com as perdas financeiras e enxugamento, tornou-se mais exigente e quem tinha formação menos sólida tornou-se um candidato preferencial a perder o emprego.

Segundo Martelanc, a maioria dos bancos oferece cursos de formação internos sobre os produtos disponíveis, em especial os voltados para clientes de maior poder aquisitivo. Mas, lembra, nem sempre o profissional tem conhecimento profundo de todos os mecanismos do mercado. "Ele até pode conhecer quais são os produtos que o banco oferece, mas isso não quer dizer que entenda profundamente como cada um deles funciona." Em alguns casos, diz, a falta de qualificação pode resultar na venda de um produto que não necessariamente seria o mais indicado. "Isso pode ser danoso não somente para o cliente, por conta da limitação do profissional que o atendeu, mas também para o banco, que pode ter a sua imagem comprometida."

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Dicas de ações para ficar milionário. Desculpem, mas não existe mágica!

Antes de começar a escrever sobre o tema de hoje, quero me desculpar com aqueles que tentaram deixar comentários e não conseguiram por não terem conta no Google. Como sou novato no mundo dos blogs ainda não descobri como faço para resolver isso, tal logo eu tiver uma solução eu avisarei aqui.

Algumas pessoas têm me perguntado se aqui no blog eu vou postar "dicas de ações" para montar uma carteira. Para responder a esta questão, eu vou aproveitar e expor minha opinião sobre como devemos olhar para nossa carteira de ações.

Bom, a resposta é bem óbvia para aqueles que me conhecem: NÃO!
Por basicamente 2 motivos: para emitir uma opinião pública e técnica sobre qualquer empresa eu teria que ser certificado pela Apimec; e eu não acredito (e oriento vocês a desconfiarem) em dicas do "papelzinho" daquela empresa que vai subir muito nos próximos dias ou semanas, isso cheira a aposta sem embasamento ou, pior, a informação privilegiada (o que é crime).

Para mim existem, em suma, 3 formas de investimento no mercado de ações:

Surfar onda do mercado: compra-se ações de empresas que pertencem ao Indice Bovespa, o próprio índice (através do BOVA11) ou fundos de ações passivos/indexados.
Se for comprar ações diretamente na pessoa física, escolha uma corretora de confiança, que te cobre barato pela corretagem e custódia e esteja atento ao imposto de renda (nas vendas com lucro não deixe de recolher a DARF no mês seguinte, existe um pedacinho do IR que é retido na fonte pela corretora, portanto fica mais fácil da Receita Federal identificar sonegação). Se o seu corretor te incentivar a compra e vender muitas vezes - girar a carteira - fique ainda mais atento ao valor da corretagem e alinhe com ele quais são seus objetivos com a carteira.
Se optar por ter fundos de ações passivos/indexados, atentem-se para a taxa de administração, que deve ser bem baixinha pois não há muita necessidade de gestão neste tipo de fundo, e taxa de performance, que não faz o menor sentido dado que o objetivo do fundo é acompanhar e não superar o benchmark (índice de referência). Sendo assim, prefira o BOVA11 (os ETFs serão devidamente explicados posteriormente), que acompanha muito bem o Ibovespa e são muito fáceis de negociar, como uma ação.
Com esta forma de investir no mercado de ações, muito provavelmente o resultado da sua carteira será sabido quando ouvir no Jornal Nacional: A bolsa de valores de São Paulo operou em alta/baixa de X,X%.
Lembrem-se que o mercado de ações Ibovespa não é sempre promissor, mas é muito difícil saber quando entrar ou sair. Se você tem dúvidas sobre o seu perfil para ter ações na sua carteira, responda para si mesmo a seguinte pergunta: Eu prefiro estar no mercado de ações quando ele cai ou não estar quando ele sobe? As duas situações vão acontecer recorrentemente, portanto deve estar preparado.

Alocação tática: talvez tenha sido a forma mais estudada no mercado financeiro nos últimos anos. Alguns se utilizam de uma série de medidas estatísticas para traçar em seus gráficos tendências e reversões na tentativa de capturar movimentos repetitivos ou ciclos de preços de uma ação. Existem ainda especialistas que possuem algoritmos parrudos, com cálculos computacionais extremamente complexos para tentar identificar o "comportamento" do mercado.
Eu acredito que estes métodos podem funcionar para grandes fundos em mercados já maduros (exemplo o fundo norte-americano Renassience), pois exige uma equipe muito atenta aos mínimos movimentos dos preços, super computadores e séries estatísticas longas e de fácil acesso. Desconfie de "robozinhos" que prometem render 1% ou 2% ao dia, isso eqüivale a 1.127% ou 14.597% ao ano, respectivamente. No mercado não existem mágicas e muito menos uma pessoa somente que saiba ganhar dinheiro.

Investimento estratégico de longo prazo: para mim é a forma que realmente tem feito, e continuará fazendo, pessoas obterem excelente retornos ao longo do tempo. Para tanto, as empresas devem ser mais importantes do que simploriamente os preços de suas ações. O que quero dizer com isso é que se deve conhecer com profundidade as empresas antes de comprar suas ações, porque mais do investir nas ações da companhia você deve se tornar e ter postura de sócio. Fazer o que chamamos de value investing (deverei dedicar um post só para falar disso também, porque merece).
Para se analisar com profundidade uma empresa é necessário conhecimento técnico de finanças, contabilidade, estudar o setor, a cadeia econômica, conversar com fornecedores e clientes da empresa, visitá-la algumas vezes e principalmente não ter pressa em tomar a decisão de investimento. Requer ainda monitoramento pós-investimento e constante olhar crítico para não se "apaixonar" pela empresa (talvez uma das coisas mais difíceis depois de se dedicar tanto ao estudo da mesma). Tamanha complexidade e necessidade de dedicação me leva a crer que esta forma de investimento no mercado de ações é um trabalho para profissionais. Ou seja, você não irá enriquecer com a dica lida num fórum da internet. Prefira os gestores especialistas, com histórico longo e consistente, com equipe capaz de fazer todo o trabalho que descrevi aqui e que saibam explicar os bons e maus retornos que tiveram e, ainda, o porque de estarem investidos em cada uma das empresas. (Se alguém se interessar, não tenho problema em citar alguns que já analisei e fazem bem esta estratégia).
Não espere que com esta forma de investimento sua carteira acompanhe os índices de ações triviais. Tal estratégia acaba se caracterizando por ter baixa correlação (tópico para um post de sexta-feira) com demais ativos do mercado, então ao mesmo tempo que pode ser um bom diversificador para portfólios, exige mais cuidado e analise antes de se tornar seu próximo investimento.

Podem ter certeza de algumas coisas também: você não terá ações daquela empresa que ninguém conhecia e subiu 150% ontem; aquele seu amigo do clube, metido a Warren Buffett especulador (uma expressão totalmente incompatível), sempre te contará apenas os maiores ganhos da carteira dele, nunca os menores e muito menos as perdas; todos os anos aparecem 2 ou 3 gestores com retornos astronômicos, se você não era um dos cotistas desses fundos (provavelmente não será e seu amigo do clube vai te dizer que pegou toda a alta) inicialmente desconfie, observe o que compõe a carteira do fundo (pergunte ao seu wealth manager ou veja no site da CVM), veja como foram os últimos 3, 5 e 10 anos do gestor (se é que ele existia nesses períodos) e finalmente nunca coloque todo o seu dinheiro no risco de uma única idéia (se decidir por investir); e o mais importante é que seus investimentos não atrapalhem seu dia-a-dia, tirando o seu sono ou te fazendo perder o foco da sua atividade principal, seja investindo sozinho ou delegando a um wealth manager - mantenha as suas expectativas alinhadas à realidade das suas escolhas.