terça-feira, 24 de maio de 2011

Será que ainda dá para ganhar dinheiro no Mercado Financeiro?

Andei ausente do blog nos últimos meses, peço desculpas àqueles que começaram a seguir e acabaram não tendo novidades vindas deste espaço. Agora voltei a todo vapor! Espero escrever alguma coisinha aqui pelo menos 2 ou 3 vezes por semana, falando de coisas do momento e atendendo a pedidos conceituais dos amigos e familiares. Justamente por isso resolvi voltar a escrever frequentemente.
Como faz tempo que não uso o blog, vamos aproveitar para falar de oportunidade de investimento combinada a alguns conceitos econômicos por trás disso.

Já estamos no final de Maio e as análises de todas as boas casas previam que este seria um ano de alta na bolsa. Até o momento, o Ibovespa acumula queda de 8,95% e deveriam questionar as previsões dos especialistas? Acredito que não, porém devemos ser mais minuciosos com nossas análises e separar alguns conceitos importantes que podem reforçar a nossa tese atual de oportunidade de investimento.
A principal porção do Ibovespa que contribuiu para esta forte queda foram as ações de empresas ligadas a commodities (especialmente metálicas), não porque sejam empresas ruins, mas existem preços na economia que são dados por um conjunto de fatores alheios a vontade dos investidores - a isso damos o nome de mercado internacional.
Não podemos deixar de comentar o desempenho das ações do setor financeiro, o que está intimamente ligado ao assunto que falaremos hoje e o conflito mais evidente que temos nos agentes econômicos brasileiros.
Algo que pode validar as previsões dos especialistas é que nem tudo vai mal na bolsa brasileira. Se olharmos o detalhe das relatórios do começo do ano, apesar de focarem sempre no Ibovespa, já há 2 anos pelo menos ouvimos falar do mercado local e de comprar ações de empresas vinculadas a melhora clara do poderde compra doméstico. Caros, isso não é Ibovespa. Apenas 20% do Ibovespa corresponde a cerda de 80% do PIB, ou seja, Ibovespa é mais mercado internacional do que local.Mas não se desesperem, tem gente especializada em analisar e investir em empresas fora do índice. Eu já falei sobre isso aqui, mas acho que desta vez vale citar alguns nomes de gestores especializados em investir em ações que já venho observando há alguns anos: Guepardo, Orbe, Quest e RB Fundamental. Ainda vale olhar para casas mais novas, como: Duna, JB, M Square, Mercatto, Iguana entre outras. Bom, recado dado para renda variável, vamos ao que interessa. Para mim, o momento é aproveitar a oportunidade do mercado Prefixado de Renda Fixa.

Primeiro o conceito econômico:
Diferentemente do que vemos no dia a dia do Jornal Nacional ou do Estadão, no país não existe apenas uma taxa de juros - a conhecida Selic ou (erroneamente) chamada de taxa básica. Dentro do mercado financeiro se trabalha uma outra taxa de juros, parecida com a Selic porém construida de forma completamente diferente, que os investidores até já se acostumaram - o tal CDI. (em um post de economia eu detalharei mais a diferença entre elas e em que momentos elas foram muito diferentes)
Se não bastasse termos essa diferença entre Selic e CDI, os investidores profissionais (tesourarias de bancos, fundos de investimentos, fundações etc) não olham apenas para a taxa de juros correntes, os atuais 12% aa (Selic) e 11,90% aa (CDI), tem acesso a um mercado pouco explorado pelos demais investidores, o mercado Futuro de Juros.

A função do mercado futuro de juros e mostrar como os agentes da economia estão descrevendo sua expectativas com relação a combinação Juros Real e Inflação. Isso posto, não podemos afirmar que os juros em uma determinada data no futuro será um valor ou outro, só podemos dizer olhando
para o mercado futuro as estimativas dos agentes.
Então o que podemos ler dos agentes na atual curva de juros?
Para isso o exercício matemático é um pouquinho mais chato, mas como eu já fiz vamos as conclusões:

- Até 2025 os agentes acreditam que os juros acumulados ficaram acima de 12% aa. Ou seja, mesmo que a eco ima melhore, que o país consiga crescer a taxas proporcionais a sua capacidade e que o mundo cresce em média de 4% a 5% aa, nossa taxa de juros (o custo de dinheiro) ao longo de 14
anos não cairá em momento algum;
- Para que isso seja factível, também vemos que a inflação não cederá abaixo de 5,8% aa em média, todos os próximos 14 anos. Ou seja, nossa inflação será durante 14 anos acima do crescimento mundial da economia.

Vamos mudar a pergunta para tentar esclarecer: será que ninguém do mercado fez essa conta, só nos? Por que os raposões do mercado estariam se comportando como coelhinhos?
Realmente nós não somos os "gurus ganhadores de dinheiro" no mundo. Mas desta forma, admitindo que as tesourarias dos bancos não viraram coelhinhos, podemos descrever o conflito mais presente na economia brasileira: autoridade monetária x tesourarias dos bancos.
Eu sei que já falei aqui da importância do constante conflito entre autoridade fiscal e autoridade monetária, porém sabem que no Brasil a autoridade fiscal é dada, não muda e é gastadora. Por isso eu chamo atenção para esta relação entre tesourarias e banco central.
Nos últimos meses vimos o banco central bater na tecla de que a inflação corrente já não tem como ser controlada por política monetária e que os ajustes de juros que eram necessário já tinham sido feitos. Por outro lado, frisava que as chamadas "medidas macro-prudenciais" passariam a ser mais utilizadas para conter o crédito e reduzir o ímpeto pelo consumo.

Pausa: devemos olhar para este discurso com bons olhos. O banco central mostrou lucidez ao entender que boa parte do efeito sobre os preços advém do mercado internacional (é, aquele mesmo que tem derrubado o Ibovespa) e que as altas dos metais e alimentos estavam próximas de arrefecer. Portanto, as consequências sobre os índices de preços domésticos acompanhariam isso. Mas isso só funciona se você combinar o jogo com os adversários.

Vamos aos raposões. Se você tem um banco que ganha mais dinheiro se ele aumentar o volume de empréstimos e cobrar mais por isso, por que raios você gostaria de colaborar com a queda dos juros e a diminuição do crescimento do crédito?
Durante anos, quando o banco central sinalizava alguma medida menos vantajosa para os bancos, os efeitos já eram conhecidos. Por serem os maiores operadores do mercado futuro de juros, principalmente os mais longos, as tesourarias usavam o seu poder sobre o mercado para abrir (elevar o nível) da curva de juros na parte mais longa; com isso, os investidores (estrangeiros) viam uma alta precificação de inflação para o futuro e rapidamente retiravam recursos do país; o efeito da saída de dólares é a depreciação do câmbio, o que por fim pressiona a inflação no curto prazo fazendo o banco central de
coelhinho e tendo que aumentar juros.

Historinha contada, será que estamos na mesma situação agora?
Dá pra dizer que não e que sim.
Primeiro que não existe mais pressão cambial contra o Real há algum tempo, pelo contrário, a pressão tem sido a favor. Isso enfraquece a "estratégia" na queda de braço das tesourarias.
Por outro lado, os bancos podem continuar expandindo o credito e contribuindo para aumento do consumo local, o que pode sim geral aumento nos preços.
O que vemos nas curvas futuras é que a tal queda de braço está nos gerando uma oportunidade interessante de ficar investidos Prefixados por mais de 10 anos à taxa superior a 12% aa. Isso quer dizer que você pode não ganhar muito dinheiro nos próximos meses, talvez até nos próximos 1 ou 2 anos, mas garantir um rendimento em Renda Fixa superior a 12% aa por mais de 10 anos.

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