quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Os investidores precisam de mais atenção e personalização

Devo me desculpar novamente por ter demorado tanto para postarr coisas novas aqui, mas nos últimos dias eu estive definindo um importante passo que vou compartilhar com vocês.
Acabo de me associar a Hollander Advisors Management para dar continuidade ao meu projeto de Wealth Management independente. Hoje somos uma multi family office focada em poucas famílias, personalizado às necessidades dos clientes, gerenciamento de risco, alocação de portfólios, planejamento financeiro e minimizado conflitos de interesses em potencial.
Como o objetivo aqui é discutirmos diversos assuntos relativos a vida financeira das pessoas, não haverá mudança de comportamento pela minha nova estrutura profissional.

Dei uma entrevista para o Paulo Fortuna na semana passada, ele publicou alguns trechos no caderno especial de Private Banking do jornal Valor Econômico de hoje. Segue o trecho e sugiro que leiam o caderno na integra, pois há várias declarações interessantes de players do mercado.

Cliente quer segurança, liquidez e conhecimento
Paulo Fortuna | Para o Valor, de São Paulo
18/11/2010

Atender às expectativas de quem tem pelo menos R$ 1 milhão disponível para investir nem sempre é uma tarefa simples e, após a crise financeira global deflagrada em 2008, tornou-se ainda mais complicada. "Muitos clientes que tiveram perdas durante a crise ficaram mal impressionados com o gestores de suas contas de private banking. Eles avaliam que os bancos foram muito imprudentes ou gananciosos e passaram a ser mais cautelosos com seus investimentos", afirma o economista Celso Grisi, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP) e diretor presidente do Instituto de Pesquisas Fractal.
Estudo realizado pelo Fractal em abril mostrou que mesmo os mais insatisfeitos com a atuação dos bancos durante a crise não desistiram de manter seus investimentos no private, mas prometeram acompanhar mais de perto o destino de seu dinheiro. Grisi destaca que os clientes desse segmento passaram a cobrar mais conhecimento técnico sobre as operações financeiras oferecidas pela instituição. "De um lado, os clientes passaram a preferir mais segurança e liquidez do que rentabilidade e, de outro, ele exigem explicações mais técnicas e embasadas sobre a regulamentação das aplicações e os riscos embutidos nas operações", afirma.

O economista lembra que nem sempre o cliente private conhece bem as especificidades do mercado financeiro ou tem tempo de acompanhar o que acontece no setor. "Neste caso, ele exige ser informado sobre qualquer mudança no mercado, como uma alteração na carga tributária, que pode afetar o seu investimento."

O estudo do Fractal aponta que o principal item valorizado pelos clientes private é a disponibilidade do profissional que o atende no banco. Em seguida, vem o o conhecimento dos produtos e serviços oferecidos pela instituição financeira. "Organização, objetividade e eficiência no atendimento" aparece como o terceiro item de destaque na pesquisa. Na quarta colocação, a "transparência e sinceridade no relacionamento com o cliente" foi o mais lembrado. Do total dos entrevistados, 84% investiam somente no private dos bancos e o restante aplicava com gestores independentes.

O consultor financeiro Vinicius Gholmie já detectou a insatisfação de muitos de seus clientes com o atendimento da área de private banking de grandes instituições financeiras. "Em alguns bancos, o gerente private acaba dando prioridade para clientes que têm grandes volumes aplicados, enquanto aqueles que possuem investimentos na faixa de R$ 3 milhões não recebem a mesma atenção."

Uma estratégia adotada por Gholmie foi reunir várias contas de clientes private para fazer uma negociação conjunta com o gerente da área. "Com R$ 30 milhões em investimentos reunidos, consigo condições melhores de negociação com o banco", explica o consultor financeiro.

A qualificação do executivo da área pode ser decisiva para o cliente em continuar o investimento no banco, destaca o economista Roy Martelanc, coordenador do curso de pós-graduação em private banking e corporate da Fundação Instituto de Administração (Fia). Ele ressalta que a crise global de 2008 e 2009 trouxe um novo paradigma para o setor: o mercado, com as perdas financeiras e enxugamento, tornou-se mais exigente e quem tinha formação menos sólida tornou-se um candidato preferencial a perder o emprego.

Segundo Martelanc, a maioria dos bancos oferece cursos de formação internos sobre os produtos disponíveis, em especial os voltados para clientes de maior poder aquisitivo. Mas, lembra, nem sempre o profissional tem conhecimento profundo de todos os mecanismos do mercado. "Ele até pode conhecer quais são os produtos que o banco oferece, mas isso não quer dizer que entenda profundamente como cada um deles funciona." Em alguns casos, diz, a falta de qualificação pode resultar na venda de um produto que não necessariamente seria o mais indicado. "Isso pode ser danoso não somente para o cliente, por conta da limitação do profissional que o atendeu, mas também para o banco, que pode ter a sua imagem comprometida."

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Mas então onde está o RISCO?

Só para avisá-los que consegui resolver o problema dos comentários para quem não tem conta do Google. Como sou novato neste troço de blog, esqueci de permitir comentários de todas as pessoas. Agora sintam-se ainda mais a vontade para usar os espaços aqui apresentados para discutirmos idéias.

Toda vez que você vai investir seu dinheiro em qualquer tipo de investimento disponível hoje em dia, você se depara com algumas páginas de alertas sobre os riscos inerentes àquele movimento.

Nos fundos de investimentos, os órgãos reguladores obrigam os administradores a elencar todos os potenciais riscos que o cotista pode ter ao comprar cotas daquele fundo. Alguns deles assustam bastante como "caso o fundo tenha perdas superiores ao patrimônio líquido do mesmo, os cotistas serão chamados a aportar recursos adicionais para sanar as perdas", que em muitos dos casos nem é possível que ocorra.

Nas emissões de ações, debêntures, fundos imobiliários e outros ativos que são colocados no mercado via oferta pública, a seção de "Fatores de Riscos" também é de arrepiar. Nós sabemos que se cair um meteoro na Faria Lima pode fazer com que o preço dos imóveis na região caia; ou que se o governo tributar todos os investimentos do Brasil em 90% podemos ter uma grande fulga de recursos do mercado financeiro.
É claro que eu estou relacionado alguns dos pontos destoantes das exposições de risco que cada investimento tem que ter, mas o que eu quero mostrar aqui é que há talvez tanta informação que o investidor trivial pode acabar considerando risco demais onde não há ou pior focar em riscos que são pouco relevantes e não olhar para os que realmente importam.

No mercado financeiro, assim como em outras atividades, existem uma série de riscos os quais estamos expostos. Cada tipo de operação, cada ambiente de mercado, cada classe de investimento e cada ativo em si possuem um conjunto de riscos que são relevantes para serem analisados e mensurados.
Constantemente vocês devem ouvir seus gerentes, consultores e eu mesmo falando da relação entre risco e retorno dos investimentos. Genericamente, parece que basta fazermos uma conta simples e poderemos verificar qual ativo ou combinação de ativos é mais eficiente. Desculpem decepcioná-los novamente (como no último post), mas não é tão simples assim. Eu aprendi com um grande risk manager, Fábio Jabur, que todo ativo não possui apenas um risco e sim uma matriz de riscos.

E o que isso quer dizer? Que como investidores estamos ferrados, vamos sempre perder dinheiro?
A resposta é NÃO. Ferrados, não. Como investidores, nós estamos fadados a ter que optar pelo tipo e pela quantidade de risco que queremos correr para conseguirmos maiores retornos. Sim, como eu já disse aqui e vou repetir algumas vezes, no mercado financeiro não existe mágica. Além disso, risco não é um sinal de que se irá perder dinheiro, o risco serve para nos alertar de que estamos dispostos a perder algum dinheiro para tentar ganhar mais.

Ótimo. Então como fazemos para saber quais os riscos que estou correndo e quais os que estamos dispostos a correr?

O risco mais aparente entre os ativos é o risco de mercado, que pode ser percebido e medido pela oscilação do preço do ativo. Comumente é expressado pela volatilidade dos retornos, calculada pela medida estatística de dispersão desvio-padrão, que deve ser lida como uma fotografia passada do quanto o valor daquele ativo oscilou (para cima e para baixo) em um determinado período. De tal sorte que quanto maior a volatilidade do ativo, maior o seu risco e devemos esperar (exigir) maior retorno.

Outro risco que estamos habituados a ouvir é o risco de crédito. Esse tipo de risco está associado a probabilidade de o devedor não pagar o que te deve, ou seja, está ligado a operações de crédito ou empréstimo. Na minha opinião, mensurar o risco de crédito é uma das coisas mais difíceis do mercado financeiro, pois apesar de haver análises complexas para identificar o potencial de default (calote), só conseguimos perceber este risco quando o evento já ocorreu. Nesse contexto, podemos perceber os diferentes níveis de risco de crédito pelo quanto cada ativo promete remunerar (caso não haja default) ao credor. Enquanto um título público federal (LFT) rende 11,69% ao ano, os juros do seu cheque especial estão entre 160% e 190% ao ano, isso mostra que o risco de o governo não te pagar pelo empréstimo que você concedeu via LFT é muito menor do que o risco que seu banco pode mensurar de você não pagar o cheque especial.

Mais um risco importante presente nos ativos é o risco de liquidez. Esse é bem simples de entender, mas não tão simples de mensurar em alguns casos. A liquidez de algum ativo é medida pela capacidade de transformar aquele ativo em dinheiro, em moeda. Sendo assim, o risco de liquidez nada mais é do que a dificuldade de transformar o ativo em questão em dinheiro, ou seja vender tal ativo no mercado. Há vários ativos que possuem prazo determinado, que possuem vencimento, nesses casos é fácil de mensurar a liquidez; mas o que possui maior risco de liquidez, uma casa na praia ou um terreno na rodovia Castelo Branco? Mesmo deduzindo qual dos dois é mais líquido, quão mais líquido um é em relação ao outro?
Novamente, quanto maior o risco de liquidez maior deve ser o prêmio em termos de retorno para o ativo analisado.

Existe uma outra lista extensa de riscos que poderíamos desenvolver aqui e discutir a fundo cada um deles - risco de execução, risco operacional, risco de crossborder, risco legal, risco de imagem, risco de compliance etc. -, mas eu gostaria de exercitar apenas mais um que julgo absolutamente relevante, o risco de gestão ou risco de decisão.
É um tipo de risco muito pouco óbvio e que envolve mais coisas que propriamente acertar ou errar uma decisão de investimento. Eu me refiro ao modo como se toma a decisão, qual é o processo que faz o gestor ou consultor optar por escolher um ativo ou outro.
Um exemplo bom que podemos usar sobre isso é diferenciar "gurus" do mercado aos conhecedores e estudiosos do mesmo mercado. No primeiro caso, parece que as decisões não possuem embasamento técnico robusto, às vezes beira um golpe de sorte, o que provavelmente não vai gerar a consistência que tanto procuramos em wealth management; já no segundo caso, conforma analisamos a estrutura de decisão do gestor em questão percebemos que há um aprendizado ao longo do tempo e que a capacidade deste de acertar suas escolhas no futuro tende a melhorar, tende a ser consistente.
Outro exemplo vem da mistura de riscos que às vezes nos deparamos. Alguns investidores insistem em achar que é mais arriscado eu, como wealth manager independente, recomendar a compra de um CDB do banco X do que o gerente da conta dele no banco X fazer a mesma recomendação de compra do CDB. A mistura de riscos que me refiro está na confusão entre o risco de crédito e o risco de decisão. Os dois agentes (eu e o gerente do banco X) estão recomendando o mesmo risco de crédito, mas o alerta que eu faço é, o que está por trás da decisão de cada um dos agentes em recomendar a compra do tal CDB? Quais são os interesses, alinhamentos, remunerações e conflitos que podem haver entre cada processo de tomada de decisão? (Nós vamos explorar um pouco mais sobre conflito de interesses, alinhamentos e remunerações mais para frente)

Por fim, devo dizer que você não precisa, tampouco tem a obrigação de, saber todos os riscos inerentes a cada investimento que você faz. Seu wealth manager deve saber de grande parte deles e tem a obrigação de consultar profissionais especializados em outros (advogados no caso de risco legal; engenheiros no caso de risco de execução de obras, por exemplo) para expô-los com detalhes e ajudá-lo a balizar quanto está disposto a correr de cada tipo de risco.
Correr risco é fundamental para se ter retornos no mercado financeiro, porém existem riscos desnecessários e incompatíveis com cada perfil de investidor. Não tome mais risco do que for preciso, não tome risco sem mensurá-lo e, principalmente, mantenha suas expectativas alinhadas com o que é possível de se conseguir no mercado. There's no free lunch!

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Dicas de ações para ficar milionário. Desculpem, mas não existe mágica!

Antes de começar a escrever sobre o tema de hoje, quero me desculpar com aqueles que tentaram deixar comentários e não conseguiram por não terem conta no Google. Como sou novato no mundo dos blogs ainda não descobri como faço para resolver isso, tal logo eu tiver uma solução eu avisarei aqui.

Algumas pessoas têm me perguntado se aqui no blog eu vou postar "dicas de ações" para montar uma carteira. Para responder a esta questão, eu vou aproveitar e expor minha opinião sobre como devemos olhar para nossa carteira de ações.

Bom, a resposta é bem óbvia para aqueles que me conhecem: NÃO!
Por basicamente 2 motivos: para emitir uma opinião pública e técnica sobre qualquer empresa eu teria que ser certificado pela Apimec; e eu não acredito (e oriento vocês a desconfiarem) em dicas do "papelzinho" daquela empresa que vai subir muito nos próximos dias ou semanas, isso cheira a aposta sem embasamento ou, pior, a informação privilegiada (o que é crime).

Para mim existem, em suma, 3 formas de investimento no mercado de ações:

Surfar onda do mercado: compra-se ações de empresas que pertencem ao Indice Bovespa, o próprio índice (através do BOVA11) ou fundos de ações passivos/indexados.
Se for comprar ações diretamente na pessoa física, escolha uma corretora de confiança, que te cobre barato pela corretagem e custódia e esteja atento ao imposto de renda (nas vendas com lucro não deixe de recolher a DARF no mês seguinte, existe um pedacinho do IR que é retido na fonte pela corretora, portanto fica mais fácil da Receita Federal identificar sonegação). Se o seu corretor te incentivar a compra e vender muitas vezes - girar a carteira - fique ainda mais atento ao valor da corretagem e alinhe com ele quais são seus objetivos com a carteira.
Se optar por ter fundos de ações passivos/indexados, atentem-se para a taxa de administração, que deve ser bem baixinha pois não há muita necessidade de gestão neste tipo de fundo, e taxa de performance, que não faz o menor sentido dado que o objetivo do fundo é acompanhar e não superar o benchmark (índice de referência). Sendo assim, prefira o BOVA11 (os ETFs serão devidamente explicados posteriormente), que acompanha muito bem o Ibovespa e são muito fáceis de negociar, como uma ação.
Com esta forma de investir no mercado de ações, muito provavelmente o resultado da sua carteira será sabido quando ouvir no Jornal Nacional: A bolsa de valores de São Paulo operou em alta/baixa de X,X%.
Lembrem-se que o mercado de ações Ibovespa não é sempre promissor, mas é muito difícil saber quando entrar ou sair. Se você tem dúvidas sobre o seu perfil para ter ações na sua carteira, responda para si mesmo a seguinte pergunta: Eu prefiro estar no mercado de ações quando ele cai ou não estar quando ele sobe? As duas situações vão acontecer recorrentemente, portanto deve estar preparado.

Alocação tática: talvez tenha sido a forma mais estudada no mercado financeiro nos últimos anos. Alguns se utilizam de uma série de medidas estatísticas para traçar em seus gráficos tendências e reversões na tentativa de capturar movimentos repetitivos ou ciclos de preços de uma ação. Existem ainda especialistas que possuem algoritmos parrudos, com cálculos computacionais extremamente complexos para tentar identificar o "comportamento" do mercado.
Eu acredito que estes métodos podem funcionar para grandes fundos em mercados já maduros (exemplo o fundo norte-americano Renassience), pois exige uma equipe muito atenta aos mínimos movimentos dos preços, super computadores e séries estatísticas longas e de fácil acesso. Desconfie de "robozinhos" que prometem render 1% ou 2% ao dia, isso eqüivale a 1.127% ou 14.597% ao ano, respectivamente. No mercado não existem mágicas e muito menos uma pessoa somente que saiba ganhar dinheiro.

Investimento estratégico de longo prazo: para mim é a forma que realmente tem feito, e continuará fazendo, pessoas obterem excelente retornos ao longo do tempo. Para tanto, as empresas devem ser mais importantes do que simploriamente os preços de suas ações. O que quero dizer com isso é que se deve conhecer com profundidade as empresas antes de comprar suas ações, porque mais do investir nas ações da companhia você deve se tornar e ter postura de sócio. Fazer o que chamamos de value investing (deverei dedicar um post só para falar disso também, porque merece).
Para se analisar com profundidade uma empresa é necessário conhecimento técnico de finanças, contabilidade, estudar o setor, a cadeia econômica, conversar com fornecedores e clientes da empresa, visitá-la algumas vezes e principalmente não ter pressa em tomar a decisão de investimento. Requer ainda monitoramento pós-investimento e constante olhar crítico para não se "apaixonar" pela empresa (talvez uma das coisas mais difíceis depois de se dedicar tanto ao estudo da mesma). Tamanha complexidade e necessidade de dedicação me leva a crer que esta forma de investimento no mercado de ações é um trabalho para profissionais. Ou seja, você não irá enriquecer com a dica lida num fórum da internet. Prefira os gestores especialistas, com histórico longo e consistente, com equipe capaz de fazer todo o trabalho que descrevi aqui e que saibam explicar os bons e maus retornos que tiveram e, ainda, o porque de estarem investidos em cada uma das empresas. (Se alguém se interessar, não tenho problema em citar alguns que já analisei e fazem bem esta estratégia).
Não espere que com esta forma de investimento sua carteira acompanhe os índices de ações triviais. Tal estratégia acaba se caracterizando por ter baixa correlação (tópico para um post de sexta-feira) com demais ativos do mercado, então ao mesmo tempo que pode ser um bom diversificador para portfólios, exige mais cuidado e analise antes de se tornar seu próximo investimento.

Podem ter certeza de algumas coisas também: você não terá ações daquela empresa que ninguém conhecia e subiu 150% ontem; aquele seu amigo do clube, metido a Warren Buffett especulador (uma expressão totalmente incompatível), sempre te contará apenas os maiores ganhos da carteira dele, nunca os menores e muito menos as perdas; todos os anos aparecem 2 ou 3 gestores com retornos astronômicos, se você não era um dos cotistas desses fundos (provavelmente não será e seu amigo do clube vai te dizer que pegou toda a alta) inicialmente desconfie, observe o que compõe a carteira do fundo (pergunte ao seu wealth manager ou veja no site da CVM), veja como foram os últimos 3, 5 e 10 anos do gestor (se é que ele existia nesses períodos) e finalmente nunca coloque todo o seu dinheiro no risco de uma única idéia (se decidir por investir); e o mais importante é que seus investimentos não atrapalhem seu dia-a-dia, tirando o seu sono ou te fazendo perder o foco da sua atividade principal, seja investindo sozinho ou delegando a um wealth manager - mantenha as suas expectativas alinhadas à realidade das suas escolhas.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Economia I: O que é Depósito Compulsório?

Conforme estabelecido na dinâmica do blog, hoje é sexta-feira dia de falarmos um pouco sobre alguns conceitos de Economia.
Nestes posts, eu tentarei expor com simplicidade e exemplos tópicos técnicos da ciência que rege todas as alocações de recursos escassos necessárias para tomadas de decisões eficientes na vida. Vez ou outra, também quero trazer para discussão alguns comparativos de estudos econômicos complexos extrapoláveis, na minha visão, para coisas do dia-a-dia.
Talvez seja preciso utilizar aqui um pouco de economês para explicar um ou outra coisa, portanto sintam-se em casa para usar o espaço de comentários também como forma de esclarecer dúvidas sobre os termos que aparecerem nos posts das sextas-feiras.
Banco Central do Brasil

Para a inauguração do espaço de Economia, vou falar sobre o que é e para que serve o tal Depósito Compulsório (a pedido do meu primo Robson). Muitos de vocês já devem ter se deparado com este termo nos jornais ou nas explanações dos canais de TV especializados, outros talvez até saibam o que é mas não tenham idéia da importância que isso tem para o funcionamento da Economia de um país.

Antes de entendermos o funcionamento do Depósito Compulsório, precisamos esclarecer as funções clássicas das duas autoridades importantes para a política econômica: Autoridade Fiscal e Autoridade Monetária.

Na equação de Demanda Agregada (consumo das famílias + investimentos + governo + exportações líquidas) os fatores que podem afetá-la são basicamente: tributos, gastos do governooferta de moeda).

Autoridade Fiscal é responsável pelas despesas e gastos do governo, bem como pela geração de receitas tributárias, via os ministérios da Fazenda e Planejamento, principalmente. Portanto se está relacionado ao componente da Demanda Agregada, também está ligada ao movimento do nível dos preços (caso seja contínuo e generalizado, chamamos de Inflação/Deflação - abordaremos isso mais para frente).
Henrique Meirelles, presidente
Banco Central do Brasil
Já a Autoridade Monetária é quem responde por tentar regular a oferta de moeda em circulação na Economia, via Banco Central e Tesouro Nacional, se utilizando basicamente de três medidas: taxa básica de juros (Selic), operações de open-market (compra e venda de títulos públicos federais) e taxa do depósito compulsório (vamos detalhar mais os dois primeiros itens em outros posts).

Quando depositamos nosso dinheiro em um banco comercial (depósito à vista) ou compramos um CDB (depósito à prazo), esse dinheiro não é mais nosso e sim do banco recebedor do depósito. Nós entregamos nosso dinheiro ao banco e ele nos entrega uma "escritura" dizendo que temos aquele recurso disponível na nossa conta. Como o dinheiro é do banco, ele pode fazer o que quiser com os recursos, como por exemplo emprestar para outras pessoas. Ou seja:

1- Eu depositei R$ 100,00 no banco Gholmie.
2- O banco Gholmie mostra no meu extrato que tenho R$ 100,00 disponíveis, mas o dinheiro é do banco a partir do momento do depósito.
3- O Sr. Silva pediu um empréstimo de R$ 100,00 para o banco Gholmie, que usou o meu dinheiro para emprestar para o Sr. Silva (intermediação financeira).
4- O Sr. Silva tem R$ 100,00 para usar como ele quiser.
Conclusão: Eu tenho R$ 100,00 e o Sr. Silva também tem R$ 100,00. Está economia, formada pelo Sr. Silva e eu, tem agora R$ 200,00 disponíveis. Chamamos isso de Multiplicador Monetário.

Pois é, por isso que se todo mundo sacar todo o seu dinheiro do banco ao mesmo tempo, provavelmente o banco não terá o dinheiro todo para pagar.

O Depósito Compulsório é a uma parcela do recurso que eu depositei no banco Gholmie que o Banco Central retêm de forma a regular a capacidade das instituições financeiras bancárias de multiplicar o dinheiro. Se hoje a taxa do depósito compulsório é de 43% sobre os depósitos à vista, o banco Gholmie só poderá utilizar R$ 57,00 dos R$ 100,00 que eu depositei para emprestar para o Sr. Silva.

Mas por que isso é um instrumento de política monetária?
No exemplo acima, podemos notar que sem depósito compulsório, a economia formada pelo Sr. Silva e eu teria R$ 200,00 disponíveis; já com a retenção de 43% do compulsório do Banco Central, a mesma economia teria apenas R$ 157,00 disponíveis. Com mais dinheiro em circulação na economia, a tendência é que o excesso de liquidez pressione o nível de preços para cima, que em movimento contínuo e generalizado gera Inflação.
Sendo assim, o efeito de se aumentar a taxa do depósito compulsório é uma política monetária contracionista, enxugando dinheiro da economia e segurando o crescimento da demanda agregada com objetivo de evitar a elevação do nível de preços.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

O que esperar do seu Wealth Manager ?

Primeiramente me desculpem pelos dias que fiquei sem escrever nada aqui. Não quero perder a frequência principalmente para que não deixemos as discussões esfriarem.

Como eu comecei falando da função de wealth manager, ainda acho que faltam alguns temas para abordarmos aqui antes de começarmos a falar de estratégias, ativos e economia.
Nos últimos dias tenho conversado com alguns amigos do mercado financeiro, alguns deles consultores financeiros e outros clientes de private banking. A percepção deles, assim como a minha, é de que as pessoas procuram wealth managers para obterem mais rentabilidade em suas aplicações financeiras, pura e simplesmente.
Muitas vezes vocês vão ver aqui a minha opinião sobre coisas que eu não acho certas no mercado e seus players, em especial a forma de atuação conflitante dos bancos, corretoras, agentes autônomos, alocadores, distribuidores etc., mas hoje eu vou focar na falta de alinhamento de expectativa entre as pessoas e o que pode fazer o seu consultor.

Sejamos técnicos. A teoria de investimentos diz que 85% do que explica a rentabilidade de um portfólio é o que chamamos de estratégia de investimento; 10% vem da tática; e 5% da sorte (estar no lugar certo na hora certa). Sendo assim, seu wealth manager deve cuidar dos seus recursos baseado sempre no planejamento financeiro de longo prazo. Ou seja, o primeiro passo para se perpetuar riqueza é cuidar do lado da saída de caixa e na sequência se preocupar com a alocação para obter retornos.

Vamos detalhar um pouco mais isso.
As decisões de utilização de recursos (sejam eles dinheiro, tempo, espaço, preocupação etc.) devem ser tomadas por especialistas pois são eles que tem a maior capacidade de reunir todas as informações e conhecimento disponível para que a decisão tomada seja a mais eficiente.
Se você vai pagar para ter o serviço de um wealth manager, como no caso de uma consulta ao ortopedista ou um tratamento saudável para perder peso e melhorar o condicionamento, o valor terá que se justificar. Automaticamente as pessoas associam a geração de valor à rentabilidade, o que não é totalmente correto, pois o início da geração de valor para o negócio de cuidar das riquezas está ligada a não desperdiçar recursos.
Desta forma, a melhor maneira de começar um relacionamento com a pessoa que vai auxiliá-lo nas decisões financeiras é descrever em forma de inventário todas as alocações em ativos, detalhando de que forma foram adquiridos (data, procedência, estrutura fiscal e como estão declarados no IR (se declarados)).
Tenho poucas dúvidas de que seu wealth manager vai identificar que:

a) alguns dos ativos que você adquiriu (fundos, CDBs, ações de algumas empresas) são redundantes e desnecessários no seu portfólio;
b) alguns ativos estão em estruturas mais caras, financeira e/ou fiscalmente falando;
c) você possui ativos incompatíveis com seu perfil de risco e seu horizonte de investimento (especialmente se for cliente de private banking);
d) a última vez que precisou de dinheiro, seja para trocar de carro, para comprar um apartamento ou fazer a festa de 15 anos da sua filha, você não desinvestiu do melhor lugar que poderia.

Esses são alguns dos valores que o wealth manager deverá criar para a sua vida financeira antes de começar a "palpitar" sobre quais são os melhores ativos ou os mais rentáveis fundos do mercado.
O princípio de enriquecer está em o quanto você salva de dinheiro e não no quanto você ganha.

Boa noite e até amanhã.