Primeiramente me desculpem pelos dias que fiquei sem escrever nada aqui. Não quero perder a frequência principalmente para que não deixemos as discussões esfriarem.
Como eu comecei falando da função de wealth manager, ainda acho que faltam alguns temas para abordarmos aqui antes de começarmos a falar de estratégias, ativos e economia.
Nos últimos dias tenho conversado com alguns amigos do mercado financeiro, alguns deles consultores financeiros e outros clientes de private banking. A percepção deles, assim como a minha, é de que as pessoas procuram wealth managers para obterem mais rentabilidade em suas aplicações financeiras, pura e simplesmente.
Muitas vezes vocês vão ver aqui a minha opinião sobre coisas que eu não acho certas no mercado e seus players, em especial a forma de atuação conflitante dos bancos, corretoras, agentes autônomos, alocadores, distribuidores etc., mas hoje eu vou focar na falta de alinhamento de expectativa entre as pessoas e o que pode fazer o seu consultor.
Sejamos técnicos. A teoria de investimentos diz que 85% do que explica a rentabilidade de um portfólio é o que chamamos de estratégia de investimento; 10% vem da tática; e 5% da sorte (estar no lugar certo na hora certa). Sendo assim, seu wealth manager deve cuidar dos seus recursos baseado sempre no planejamento financeiro de longo prazo. Ou seja, o primeiro passo para se perpetuar riqueza é cuidar do lado da saída de caixa e na sequência se preocupar com a alocação para obter retornos.
Vamos detalhar um pouco mais isso.
As decisões de utilização de recursos (sejam eles dinheiro, tempo, espaço, preocupação etc.) devem ser tomadas por especialistas pois são eles que tem a maior capacidade de reunir todas as informações e conhecimento disponível para que a decisão tomada seja a mais eficiente.
Se você vai pagar para ter o serviço de um wealth manager, como no caso de uma consulta ao ortopedista ou um tratamento saudável para perder peso e melhorar o condicionamento, o valor terá que se justificar. Automaticamente as pessoas associam a geração de valor à rentabilidade, o que não é totalmente correto, pois o início da geração de valor para o negócio de cuidar das riquezas está ligada a não desperdiçar recursos.
Desta forma, a melhor maneira de começar um relacionamento com a pessoa que vai auxiliá-lo nas decisões financeiras é descrever em forma de inventário todas as alocações em ativos, detalhando de que forma foram adquiridos (data, procedência, estrutura fiscal e como estão declarados no IR (se declarados)).
Tenho poucas dúvidas de que seu wealth manager vai identificar que:
a) alguns dos ativos que você adquiriu (fundos, CDBs, ações de algumas empresas) são redundantes e desnecessários no seu portfólio;
b) alguns ativos estão em estruturas mais caras, financeira e/ou fiscalmente falando;
c) você possui ativos incompatíveis com seu perfil de risco e seu horizonte de investimento (especialmente se for cliente de private banking);
d) a última vez que precisou de dinheiro, seja para trocar de carro, para comprar um apartamento ou fazer a festa de 15 anos da sua filha, você não desinvestiu do melhor lugar que poderia.
Esses são alguns dos valores que o wealth manager deverá criar para a sua vida financeira antes de começar a "palpitar" sobre quais são os melhores ativos ou os mais rentáveis fundos do mercado.
O princípio de enriquecer está em o quanto você salva de dinheiro e não no quanto você ganha.
Boa noite e até amanhã.

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