quinta-feira, 4 de novembro de 2010

O que esperar do seu Wealth Manager ?

Primeiramente me desculpem pelos dias que fiquei sem escrever nada aqui. Não quero perder a frequência principalmente para que não deixemos as discussões esfriarem.

Como eu comecei falando da função de wealth manager, ainda acho que faltam alguns temas para abordarmos aqui antes de começarmos a falar de estratégias, ativos e economia.
Nos últimos dias tenho conversado com alguns amigos do mercado financeiro, alguns deles consultores financeiros e outros clientes de private banking. A percepção deles, assim como a minha, é de que as pessoas procuram wealth managers para obterem mais rentabilidade em suas aplicações financeiras, pura e simplesmente.
Muitas vezes vocês vão ver aqui a minha opinião sobre coisas que eu não acho certas no mercado e seus players, em especial a forma de atuação conflitante dos bancos, corretoras, agentes autônomos, alocadores, distribuidores etc., mas hoje eu vou focar na falta de alinhamento de expectativa entre as pessoas e o que pode fazer o seu consultor.

Sejamos técnicos. A teoria de investimentos diz que 85% do que explica a rentabilidade de um portfólio é o que chamamos de estratégia de investimento; 10% vem da tática; e 5% da sorte (estar no lugar certo na hora certa). Sendo assim, seu wealth manager deve cuidar dos seus recursos baseado sempre no planejamento financeiro de longo prazo. Ou seja, o primeiro passo para se perpetuar riqueza é cuidar do lado da saída de caixa e na sequência se preocupar com a alocação para obter retornos.

Vamos detalhar um pouco mais isso.
As decisões de utilização de recursos (sejam eles dinheiro, tempo, espaço, preocupação etc.) devem ser tomadas por especialistas pois são eles que tem a maior capacidade de reunir todas as informações e conhecimento disponível para que a decisão tomada seja a mais eficiente.
Se você vai pagar para ter o serviço de um wealth manager, como no caso de uma consulta ao ortopedista ou um tratamento saudável para perder peso e melhorar o condicionamento, o valor terá que se justificar. Automaticamente as pessoas associam a geração de valor à rentabilidade, o que não é totalmente correto, pois o início da geração de valor para o negócio de cuidar das riquezas está ligada a não desperdiçar recursos.
Desta forma, a melhor maneira de começar um relacionamento com a pessoa que vai auxiliá-lo nas decisões financeiras é descrever em forma de inventário todas as alocações em ativos, detalhando de que forma foram adquiridos (data, procedência, estrutura fiscal e como estão declarados no IR (se declarados)).
Tenho poucas dúvidas de que seu wealth manager vai identificar que:

a) alguns dos ativos que você adquiriu (fundos, CDBs, ações de algumas empresas) são redundantes e desnecessários no seu portfólio;
b) alguns ativos estão em estruturas mais caras, financeira e/ou fiscalmente falando;
c) você possui ativos incompatíveis com seu perfil de risco e seu horizonte de investimento (especialmente se for cliente de private banking);
d) a última vez que precisou de dinheiro, seja para trocar de carro, para comprar um apartamento ou fazer a festa de 15 anos da sua filha, você não desinvestiu do melhor lugar que poderia.

Esses são alguns dos valores que o wealth manager deverá criar para a sua vida financeira antes de começar a "palpitar" sobre quais são os melhores ativos ou os mais rentáveis fundos do mercado.
O princípio de enriquecer está em o quanto você salva de dinheiro e não no quanto você ganha.

Boa noite e até amanhã.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Quem pode ser o seu Wealth Manager?


Como a analogia entre finanças e medicina foi bem compreendida no post de ontem, vou continuar me utilizando deste recurso para falar hoje sobre como podemos escolher quem deve cuidar das nossas riquezas.

Voltando ao exemplo da cirurgia do meu joelho esquerdo, apesar de ser extremamente simples (aparentemente) precisei de uma série de procedimentos pré-operatório e pós-operatório, tão importantes quanto a cirurgia em si.
A preparação envolvia a análise do meu histórico de saúde familiar, exames de sangue, eletrocardiograma e internação em hospital especializado para o trabalho das enfermeiras e anestesista poder ser feito da melhor forma possível. A importância das atividades pré-operatórias é tão grande que pode ser fator condicional para o sucesso da operação.
No caso do pós-operatório não é muito diferente. Mais de 1 hora após terminar a cirurgia eu tive que permanecer em uma sala sob observação; fiquei no hospital até o final do dia (a cirurgia foi 8h da manhã) esperando o efeito da anestesia passar. Consultas ao médico, troca de curativos, acompanhamento da cicatrização e 20 sessões de fisioterapia, tudo isso para garantir que o trabalho feito obteve o resultado esperado - curar os problemas do meu joelho esquerdo.

Para consertar o meu joelho esquerdo não bastou escolher um médico ortopedista especializado, porque não é só o profissional que está envolvido no processo e não é só ele que pode comprometer o sucesso ou o fracasso de uma cirurgia.
Transportando para a realidade do mercado financeiro, para se fazer wealth management como indica a literatura não basta apenas um profissional capacitado. Não basta um banco grande e com estrutura (como o hospital). Não basta corretores, officers, fundos, relatórios etc. Wealth management precisa de tudo que há disponível para se tomar decisões e precisa ter acesso a todas as ferramentas que proporcionem ao processo transparência, eficiência e monitoramento.

No Brasil podemos ter acesso a este tipo de serviço, basicamente, através de Private Banking, Family-Offices e Consultores Independentes (os Agentes Autônomos de Investimentos acabam se confundindo, por enquanto, com consultores independentes devido a um impasse de regulamentação da CVM).
Grande parte da riqueza dos brasileiros com recursos investidos está sob a "tutela" dos private banking, que além de prestar o serviço de banking (conta corrente/investimento, cartão de crédito, internet banking etc), também vendem fundos proprietários, fundos de outros gestores, produtos de renda fixa proprietários, serviço de corretora de valores etc. A estrutura mais encontrada no mercado é a de gerentes de relacionamento (private banker) em conjunto com um consultor de investimentos, cuidam da carteira de investimentos do cliente.
Quando falamos de family-offices (ou as multi-family-offices, quando trata-se de várias famílias) o foco está no gererenciamento da riqueza de um grupo de pessoas da mesma família, que podem diferir em perfil de risco ou momento de vida, mas têm como objetivo comum perpetuar os recursos através das gerações. Ainda não é muito comum no Brasil, por exigir um grande volume de recursos para justificar a estrutura, porém vêm crescendo a passos largos com o aumento do número de milinários e bilionários.
Já os consultores independentes, por ainda não estarem devidamente regulamentados, acabam atuando vezes como family-officers outras vezes em parceria com bancos, asset managements ou corretoras (agêntes autônomos). Por enquanto vemos poucos atuarem realmente de forma independente, principalmente no que se refere a forma de remuneração.
Uma pequena reportagem da AE de Outubro/2009, falando sobre o que ela chama de 'butique de investimentos', vale ser lida como informação adicional.

Assim como na escolha de um médico para cuidar da sua saúde, o principal fator para escolha do seu wealth manager é a confiança que você consegue delegar a ele.
Como comparado acima, a importância de o wealth manager conhecer suas necessidade, seu fluxo de caixa, seus projetos de consumo, sua declaração de IR ou qualquer outra informação pertinente para que se possa traçar um plano financeiro, fiscal e sucessório é fundamental para o sucesso ou o fracasso do processo. Se você não puder confiar no seu wealth manager, não adiantará ele ser competente, ter estrutura operacional ou obter os maiores retornos. Lembre-se de que wealth management, bem como o conserto do meu joelho esquedo, não pode estar limitado apenas a "operação" para podermos esperar melhores resultados.

Dinâmica do Blog

Antes de começar nosso assunto de hoje (que não deixa de ser uma continuação do post de ontem), eu gostaria de agradecer as contribuições que tenho recebido do pessoal que visitou o blog nesses primeiros dois dias e incentivar mais pedidos e sugestões para que este ambiente seja agradável para todos nós (pode ser via Email, Facebook, Twitter ou comentário no blog).

Seguindo algumas recomendações, vou tentar manter a seguinte dinâmica:

- Falarei um pouco mais sobre o conceito de Wealth Management, antes de dar seguimento sobre minhas opiniões;
- Os posts das sextas-feiras serão destinados a alguns conceitos de Economia e Finanças que eu julgo importantes para o entendimento do mercado;
- Pelo menos uma vez por mês farei comentários um pouco mais detalhados sobre uma notícia, reportagem, carta mensal de gestão ou comunicado oficial que estejam relacionados com nossos objetivos aqui;
- Pelo menos uma vez por mês quero trazer para pauta um artigo escrito por pessoas que eu respeito (ou que não merecem respeito) para alimentar nossas discussões.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Wealth Management: o que é e para que serve?


Foto: Caixa-forte do Tio Patinhas, Walt Disney

O termo é bonito, como quase tudo no mercado financeiro é expresso em inglês e com o desenvolvimento do ativos foi ganhando força no Brasil nos últimos 7 ou 10 anos, nada mais é do que gestão de riquezas.

A minha compreensão de Wealth Management fica melhor explicada se pudermos fazer uma analogia com outras atividades profissionais, por exemplo médicos.
Cada médico tem uma especialidade, se preparou e estudou para cuidar uma parte da saúde das pessoas. Eu já operei o joelho esquerdo, para isso escolhi um médico ortopedista especialista em cirurgia de joelho, pois além de procurar um bom médico eu estava interessado em resolver o meu problema no joelho. A cirurgia foi um sucesso e hoje meu joelho funciona muito bem. Provavelmente, se eu tivesse optado por um médico ortopedista genérico teríamos uma menor probabilidade de sucesso; se fosse um médico não ortopedista talvez menor probabilidade ainda; mas certamente se eu mesmo tentasse fazer a cirurgia do meu joelho esquerdo (por mais simples que possa ser uma videoartroscopia), eu deveria esperar péssimos resultados.
O que eu quero dizer com isso é que se auto-medicar tem uma boa probabilidade de não dar certo.

O mercado financeiro atingiu nos últimos anos um nível de complexidade, diversidade e desenvolvimento que não mais permite as pessoas a simplesmente salvar parte dos seus recursos mensais na conta poupança do seu banco de varejo. Não só porque os rendimento são bem inferiores aos doas anos 80 e 90, mas porque o processo de tomada de decisão de investimento não está mais associado apenas a guardar dinheiro para consumir no futuro (o que os economistas chamam de "transferência intertemporal de satisfação"). A simples decisão de não consumir parte dos recursos para utilizá-los no futuro, envolve diferentes informações que cabem ao profissional do mercado ter a capacidade de processar e transformá-las em úteis para uma melhor escolha.
Dessa forma, fazer wealth management não deve se limitar a montar portfólios de investimentos, fazer alocações táticas e muito menos considerar apenas o estoque de liquidez (dinheiro na conta do banco). Se pensarmos que a nossa riqueza não é simplesmente o dinheiro que temos, fica fácil de entender que para gerí-la precisamos considerar todos os fatores que circundam a formação, manutenção e crescimento dela.

Espero que possamos discutir aqui um pouco sobre cada motivador que hoje faz as pessoas não poderem mais cuidar de seus recursos com amadorismo. Por isso já vou deixar engatilhado alguns dos próximos temas que quero colocar em pauta aqui: planejamento tributário, diferença entre estratégia e tática, conflitos de interesses, utilidade de alguns ativos disponíveis no mercado, tipos de risco, perfis de risco dos investidores, macroeconomia etc.

Os que já me conhecem, sabem que eu tenho um grande prazer em falar sobre Economia e Finanças, então fiquem à vontade para sugerir temas para fazerem parte deste blog.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Apresentação e Boas Vindas


Seguindo a sugestão de um dos meus melhores amigos, criei o tal do blog.

Como o assunto aqui será estratégias que podem ser adotadas em gestão de riquezas (pequenas ou grandes), não fará sentido somente eu ficar escrevendo sobre as teorias de investimentos, notícias financeiras e econômicas ou comentários sobre os ativos que podem ajudar na composição dos portfolios, eu preciso de interação com os demais interessados nestes assuntos.

Existem alguns paradigmas quando o tema é gerir o próprio dinheiro ou o dos outros, mas poucas coisas são regras irrefutáveis e muito se pode discutir sobre as melhores alternativas a cada momento.

Vale me apresentar, para dar boas vindas.
Nasci em Taubaté interior de São Paulo, mas moro na capital há quase 9 anos e acho que aqui é uma das melhores cidades do mundo. Sou economista pelo Ibmec São Paulo, interessado em Microeconomia, Políticas Públicas, Finanças Pessoais e Derivativos. Trabalho no mercado financeiro desde 2003, atuando como wealth manager na Votorantim Asset Management para investimentos em renda variável até começo de 2010 quando fui para a Orbe Investimentos cuidar da parte comercial junto aos investidores institucionais, até outubro do mesmo ano. Hoje ajudo algumas famílias a organizar seus fluxos de caixa e cuidar da educação financeira.

Sejam bem vindos a trocar idéias e dar suas opiniões.