Segue um trecho do caderno especial Private Banking, no Valor Econômico de hoje. Tem algumas palavras minhas de uma entrevista dada na semana passada para o Guilherme Meirelles.
Family offices trabalham de olho no futuro
De São Paulo
10/08/2011
Reza uma lenda no mundo corporativo que assegura existir em todos os idiomas do planeta uma versão aproximada do dito popular "pai rico, filho nobre e neto pobre". Embora seja prematuro afirmar que este provérbio esteja com seus dias contados no Brasil, o crescimento de escritórios especializados em administrar a fortuna de famílias de empresários- os chamados "family offices"- atesta que já se consolidou a preocupação em não só preservar o patrimônio como também garantir o futuro das próximas gerações.
Estima-se que hoje existam cerca de 40 escritórios voltados exclusivamente para esta atividade, sendo que há dez anos havia apenas cerca de dez instituições. Especialistas supõem que o valor administrado por esses escritórios gire em torno de R$ 200 bilhões, montante que pode até ser maior já que o sigilo é condição primordial nesse setor.
Sem revelar os clientes, Gholmie diz que lida com R$ 930 milhões. Ex-executivo do Banco Votorantim, ele afirma que administrar os investimentos a partir de uma family office gera mais independência no momento da escolha, propiciando taxas mais rentáveis para os clientes.
É um ramo no qual a confiança deve permear a relação. Tanto por parte da família que contrata os serviços do gestor, como deste com as boas práticas do mercado financeiro. No final do ano passado, a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) lançou um código de regulação e boas práticas para gestores de patrimônio, que contou com a adesão imediata de consultorias e escritórios de family office.
Depositar nas mãos de terceiros a administração de seus bens e investimentos é uma prática com mais de 200 anos na Europa e ganhou corpo a partir do século XIX nos Estados Unidos, com as famílias Rockefeller, Carnegie e Pew. Estima-se que os family offices administrem US$ 20 trilhões nos EUA atualmente.
Há basicamente, há duas modalidades: as single family offices que administram recursos de uma única família, e as multi family offices, caso da Hollander.
Entre as gestoras criadas para atender uma única empresa, está a Janos Participações, montada na década de 90 pelos três sócios da Natura - Antonio Luiz Seabra, Pedro Passos e Guilherme Leal - que além de administrar o patrimônio dos empresários, passou a tomar ações mais arrojadas, como investimentos em biotecnologia e setor de internet.
Foi a partir de uma single family office que o administrador paranaense Alexei Affonso Schrappe Antoniuk criou, há 10 anos, a Family Office, em Curitiba. Seu envolvimento com o patrimônio da família surgiu no final dos anos 90, com a venda da Impressoras Paranaense para o grupo Dixie Toga. "Com o tempo, fui procurado por pessoas do meu círculo de relacionamento e decidi criar uma empresa unicamente para este fim", afirma. (G.M.)